• Elisa Lempek

A experiência da maternidade do segundo filho

Atualizado: 10 de Jul de 2018

A gestação e a chegada do segundo filho são eventos marcantes no ciclo de vida familiar que promove mudanças em cada um dos membros da família, assim como nas suas relações (ver http://bit.ly/Adaptaçõesfamiliares). Diante dessas mudanças, algumas tarefas são bastante complexas e desafiadoras, especialmente para a mãe que já possui um filho pequeno. Um dos desafios é criar um espaço emocional para o novo bebê, que passará a ocupar um lugar totalmente novo e específico na família, além disso, ter que lidar com as diferentes necessidades do primogênito, assim como de um bebê recém nascido. A forma como a mulher realiza a transição para a maternidade do segundo filho tem um impacto significativo tanto para ela quanto para seus filhos.


Não existem dois bebês iguais, e a mãe também é diferente para cada bebê, pois cada gestação ocorre num determinado momento e contexto de vida da mulher, do casal e da família. Portanto, vivenciar essas mudanças pode ser um processo tanto gratificante quanto estressante, uma vez que exige novas adaptações e demandas, numa busca constante de equilíbrio que vai sendo conquistado e reconquistado, gradualmente


"A experiência da maternidade traz um conjunto de transformações afetivas e psíquicas, tratando-se de um processo contínuo, que dura toda a vida, sendo que cada novo filho irá reavivá-lo". (Lamour & Barraco apud Piccinini & Alvarenga, 2012 )


A história pessoal da mãe, a posição que ocupa na sua família de origem e o fato de ter tido ou não ter tido irmãos também pode influenciar nessa nova experiência como mãe de dois. Dessa forma, o nascimento de um segundo filho remete a mulher à relação com seus irmãos (ou ao fato de ter sido filha única) e a seus pais. Toda essa experiência é marcada por diferentes emoções e sentimentos, expectativas, crescimento e transformação da própria identidade.


Entre os sentimentos maternos diante dessa nova fase pode ocorrer tristeza, culpa, raiva decorrentes, entre outros fatores, do fato de que as necessidades do novo bebê possam interferir na qualidade da atenção direcionada ao primogênito, ou, por outro lado, de que as necessidades do novo bebê não possam ser atendidas de forma satisfatória em função da atenção que o primogênito exige, por exemplo. Para amenizar essas dificuldades, o pai tem um papel fundamental ao oferecer apoio à mulher e participação efetiva na distribuição de tarefas e responsabilidades, especialmente ao garantir um maior envolvimento com o filho mais velho que também sente-se mais seguro diante da nova configuração familiar, ao receber esse cuidado.


Uma dúvida bastante comum após a chegada do segundo filho é em relação a capacidade de amar ambos. Sentimentos conflitantes também podem emergir, causando muita culpa e sofrimento para a mãe que resiste a aceitá-los como parte da experiência humana. Amor e ódio são experimentados por todas as pessoas, nas mais diversas relações, e não seria diferente na relação mãe e filho. É importante acolher esses sentimentos e desenvolver estratégias saudáveis para lidar com eles.


Em relação ao amor por ambos os filhos, aos poucos a nova mãe vai descobrindo as variações do amor e suas infinitas formas de expressão. Conforme o vínculo com o novo bebê se estabelece e a rotina vai se ajustando, os sentimentos de satisfação materna são experienciados ao compartilhar momentos com os dois filhos, principalmente depois de superados os desafios dos meses iniciais, promovendo muita alegria e união no ambiente familiar.


Apesar dos desafios, ter um segundo filho pode ser considerado como uma nova oportunidade de desenvolvimento para a mulher que tem a chance de vivenciar uma experiência mais integrada e menos idealizada quando comparada a primeira.


De forma geral, as mães que recebem apoio adequado nessa transição para a maternidade do segundo filho apresentam melhores condições de saúde física e mental do que mães que não recebem esse apoio. Um apoio adequado é aquele que atende as necessidades da mulher, podendo ser, inclusive, o acompanhamento psicológico que pode contribuir muito na construção dessa nova identidade, agora como mãe de dois.


Com carinho,

Elisa Lempek


Referência: Maternidade e Paternidade: a parentalidade em diferentes contextos. Piccinini & Alvarenga. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012.




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