• Elisa Lempek

A família é nossa primeira escola de aprendizado emocional

Como você interage com os seus filhos quando os ânimos estão alterados?


Como você percebe as emoções do seu filho?


Como ele costuma expressar as emoções?


E como você reage diante delas?


Quando seu filho está triste, por exemplo, o que você faz? Como você lida com a tristeza dele? O que você pensa? O que você sente diante da tristeza de seu filho? E o que você costuma dizer a ele? Como vocês lidam com a tristeza?


E quando seu filho está com medo? Ou com raiva?


O quanto a sua reação diante das emoções do seu filho diz sobre a forma como você lida com as suas próprias emoções?


Desejamos que os nossos filhos de 2, 3, 4 anos de idade saibam lidar com as próprias emoções quando depende de nós a orientação para isso! As crianças nessa idade, na maioria das vezes, não conseguem expressar em palavras o que estão sentindo, e precisam da nossa ajuda para nomear seus sentimentos, assim como compreendê-los dentro de um contexto. Além disso, elas também não sabem como lidar com as suas emoções e sentimentos, e muitas vezes expressam suas necessidades através de comportamentos que nós, adultos, consideramos inadequados. Entretanto, é importante compreendermos que por traz de todo comportamento há uma emoção e toda emoção fala sobre uma necessidade! Muitas vezes, essa necessidade também não é compreendida pela criança, e ela precisa da nossa ajuda para nomear, validar e encontrar maneiras saudáveis para comunicar e resolver seus problemas.


A maioria das teorias sobre criação de filhos aborda o “mau comportamento” infantil, mas não dá a devida importância para as emoções e sentimentos que estão por trás desses comportamentos.


É consenso que nem todo tipo de comportamento é aceitável, mas todo sentimento é. Não temos controle sobre nossas emoções e sentimentos. Temos controle, enquanto adultos, sobre a forma como reagimos diante de nossas emoções e sentimentos. E enquanto pais, devemos pontuar, colocar limites e orientar as ações, o comportamento dos nossos filhos, e não as emoções que devem ser expressas honestamente, além de validadas por nós.


Nesse sentido, o primeiro passo que nós, mães e pais, podemos tomar para criar filhos emocionalmente saudáveis é compreender como nós mesmos lidamos com as emoções e como o nosso estilo de lidar com as emoções afeta a relação com os nossos filhos, pois é através desta relação que as crianças aprendem a lidar com as próprias emoções e levam esses aprendizados para a vida!


Crianças que aprendem desde cedo a reconhecer as suas emoções e a lidar com elas de forma construtiva desenvolvem boa auto-estima, auto-confiança, se relacionam melhor, lidam melhor com os desafios e adversidades, além de construírem relacionamentos mais saudáveis.


Por outro lado, quando a criança tem os seus sentimentos invalidados, ela começa a duvidar do próprio julgamento, perdendo a confiança em si mesma.


A comunicação emocional entre pais e filhos é um caminho de conexão e aprendizagem para ambos. A percepção emocional e a capacidade de lidar com as emoções e os sentimentos determina o sucesso em diferentes área da vida, inclusive das relações familiares.


Quando os pais compreendem os filhos e os ajudam a lidar com emoções e sentimentos como tristeza, medo e raiva, emoções consideradas difíceis, criam-se elos de afeto, confiança e intimidade entre eles.


Segundo Daniel Goleman, a família é nossa primeira escola de aprendizado emocional.


“Neste cadinho íntimo, aprendemos como nos sentir em relação a nós mesmos e como os outros reagirão aos nossos sentimentos; como pensar sobre estes sentimentos e que escolhas temos ao reagir; como interpretar e expressar esperanças e medos. Essa formação emocional se dá não apenas através das coisas que os pais dizem aos filhos diretamente, mas também dos modelos que oferecem para lidar com os próprios

sentimentos e com os que existem entre marido e mulher”. Goleman


Portanto, transformar a atitude dos filhos começa quando transformamos a nossa e um dos caminhos possíveis é orientar os filhos no mundo da emoção.


Os pais que orientam seus filhos no mundo da emoção ensinam aos filhos estratégias para lidar com os altos e baixos da vida. Não se opõem às manifestações de raiva, tristeza ou medo dos filhos. Nem as ignoram. Ao contrário, aceitam as emoções negativas como coisas que fazem parte da vida e aproveitam os momentos de exaltação emocional para ensinar aos filhos importantes lições de vida e construir um relacionamento mais íntimo com eles.


Abaixo segue algumas dicas que podem ajudar nessa construção:


1-Ao perceber as emoções da criança, ajude-a a nomeá-la.

2-Reconheça na emoção uma oportunidade de intimidade e de aprendizado. O que esta emoção está comunicando? Ela fala sobre alguma necessidade não atendida? Qual seria essa necessidade?

3-Legitime os sentimentos.

4-Ajude a criança a encontrar formas para expressar o que está sentindo. Lembre-se de orientar o comportamento da criança e não dizer o que ela deve sentir.

5-Explore estratégias para solução do problema, junto com a criança.


Quando você se permite viver as próprias emoções e sabe que há caminhos construtivos para lidar com elas, promovendo novas aprendizagens e crescimento, você se torna mais apto a apoiar e orientar seu filho no mesmo processo, aproveitando os momentos de tensão para gerar conexão, fortalecer laços e aumentar a intimidade da relação.


Todo esse processo, entretanto, exige dedicação e paciência, além do autoconhecimento, como mencionei no início do texto. Além disso, não garante o fim dos conflitos familiares, mas aproxima os membros na busca de soluções conjuntas para os problemas, aumentando a intimidade em família, criando elos de conexão que favoreçam o diálogo e a harmonia.


Com carinho,

Elisa Lempek




116 visualizações

Seguir

  • Instagram ícone social