• Elisa Lempek

Como os conflitos de casal podem impactar nos filhos?



De modo geral, as pessoas tem dificuldades para identificar as próprias atitudes diante dos conflitos conjugais (e sua corresponsabilidade na manutenção deles) bem como o impacto do conflito nas pessoas próximas, assim como o seu potencial para promover mudanças.

Sabe-se que os conflitos dos casais, quando mal resolvidos, trazem consequências importantes para o desenvolvimento dos filhos, por exemplo:

* pouca disponibilidade materna ou paterna para os filhos; * aumento das punições e da hostilidade dos pais para com os filhos; * diminuição do apego dos filhos com seus pais.

Também é comum os pais envolverem os filhos nos conflitos, resultando em confusão de papéis e em sentimentos de culpa, tristeza  e vergonha nos filhos que são "convocados" por um dos genitores (ou ambos) a se opor contra o outro e ocupar um lugar de confidente ou apoiador nas brigas conjugais. Esse tipo de dinâmica, comum a muitas famílias (e que nem sempre ocorre de forma explícita), é prejudicial tanto para o casal quanto para os filhos.

Entretanto, não são apenas as características negativas do relacionamento do casal que impactam no desenvolvimento dos filhos. Casais com bom nível de satisfação conjugal e que são pais companheiros, envolvidos, sensíveis, que se apoiam e que são parceiros na arte de criar e educar os filhos tendem a ter filhos que lidam melhor no enfrentamento das próprias dificuldades.

As estratégias de resolução de conflitos positivas utilizadas pelo casal como a negociação, a busca pelo acordo, a empatia e o apoio mútuo contribuem para a diminuição de problemas de ajustamento dos filhos e para o desenvolvimento de aspectos positivos do funcionamento psicológico deles. Os filhos se mostram mais competentes para resolver os próprios problemas assim como a construírem relacionamentos mais saudáveis.

O objetivo desse texto é contribuir para o conhecimento de que existem impactos negativos assim como positivos nos filhos a partir da forma como os casais resolvem os seus conflitos, assim como inspirar os casais a desenvolverem maneiras eficazes e construtivas de vivenciar as situações geradoras de conflitos, buscando viver uma relação cada vez mais satisfatória, repercutindo tanto na sua conjugalidade quanto no exercício de uma parentalidade responsável, promovendo mais saúde e bem-estar para toda a família.


Com carinho,

Elisa Lempek


Referência: WAGNER, A.; MOSMANN, C.P.; FALCKE, D. Viver a dois: oportunidades e desafios da conjugalidade. São Leopoldo: Sinodal,2015.


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