• Elisa Lempek

Conflito de casal: dicas para um bom encaminhamento



Os casais saudáveis não são necessariamente aqueles que não possuem conflitos, mas sim aqueles que conseguem manejá-los de forma adequada. As formas de resolver os conflitos vão sendo construídas e adaptadas ao longo do tempo e a maneira como os casais lidam com as suas divergências e desentendimentos marca a diferença entre relações com melhores ou piores níveis de saúde.

O conflito ocorre quando há divergências de opiniões e interesses, e é completamente natural nos relacionamentos, especialmente no conjugal. Porém, essa discordância não deve ser compreendida como algo negativo, pois, é esperado que as pessoas tenham perspectivas diferentes sobre um mesmo problema. Entretanto, para que a ocorrência de conflitos não desgaste a relação e distancie o casal (como acontece em muitos relacionamentos), mas seja favoreça o crescimento da relação, o casal deve ser capaz de resolvê-lo através da reflexão e do diálogo.


Em geral, os parceiros tentam o seu melhor para solucionar os conflitos, entretanto, muitas vezes não sabem como agir e acabam utilizando estratégias já conhecidas mas que diante de determinada situação não são eficazes, pois, diferentes situações de conflito exigem diferentes estratégias de enfrentamento. Para aprimorar e diversificar o repertório de estratégias de encaminhamento e resolução dos conflitos, o primeiro passo é dar-se conta do padrão de resolução utilizado com mais frequência para, então, experimentar novas possibilidades.


Antes de continuar, te convido a conhecer alguns estilos de resolução de conflitos:


Negociação

É caracterizada pela busca de apoio entre os cônjuges. Envolve encarar o conflito, escutar o que o outro pensa sobre o conflito e tentar encontrar, em conjunto, alternativas de solução que sejam satisfatórias para ambos. Está associada a discussões construtivas em que se busca chegar a um acordo, geralmente necessitando que ambos os cônjuges cedam em uma ou outra situação.


Evitação/afastamento

Corresponde a decisão, por um dos cônjuges, de se recusar a continuar discutindo um assunto. Este cônjuge normalmente discute até chegar a certo limite, mas depois se nega a continuar a conversa. Fica retraído, em silêncio, indiferente aos apelos do outro cônjuge, preferindo ficar sozinho.


Ataque

É aquela estratégia caracterizada por ataques pessoais e perda de controle durante uma discussão. Geralmente ocorrem insultos, muitos dos quais ditos sem pensar, e pode chegar a episódios de agressão psicológica (ameaças, humilhações, etc.). Quando esta estratégia é empregada, dificilmente os cônjuges chegam a um acordo sobre a situação desencadeante do conflito, pois, a discórdia tende a se intensificar e o casal pode se envolver em situação de violência conjugal.


Submissão

Diz respeito a desistência de um dos parceiros em defender seu ponto de vista e a adoção de uma postura de obediência.  Esse cônjuge usualmente possui grande dificuldade para defender seu ponto de vista, é excessivamente compreensivo e, quando tenta expor suas idéias, logo desiste. Submete-se, com frequência, às sugestões do/a companheiro/a para solucionar o problema, mesmo que a solução não seja aquilo que deseja.

Depois de conhecer os estilos de resolução de conflitos, reserve um tempo para refletir se algum destes estilos aparece como padrão no seu relacionamento e qual tem sido o resultado para o melhor encaminhamento dos conflitos enfrentados.


Agora quero deixar algumas dicas que podem contribuir para um bom encaminhamento dos conflitos:

1- Escolha um MOMENTO adequado para conversar sobre assuntos difíceis; 2- Reserve um TEMPO adequado para conversar sobre o conflito; 3- Procure um LUGAR onde tenha privacidade e tranquilidade para a conversa.

Já vimos por aqui que diferentes situações de conflito exigem estratégias distintas, portanto, o repertório de estratégias para resolver os conflitos deve ser flexível. E nesse sentido, a capacidade de negociação é a habilidade fundamental para o enfrentamento dos conflitos e seu êxito depende de colocar em prática algumas habilidades emocionais e de comunicação:

*Reconheça o que está sentindo (raiva, medo, tristeza, ciúmes, desilusão, indiferença, etc.).

*Identifique os "gatilhos" para os seus sentimentos negativos e fale sobre eles, ou seja, como você está se sentindo e por que.

*Não altere a voz e procure falar devagar e claramente.

*Cuide das palavras, pensando antes de falar e falando sobre si, seus pensamentos, sentimentos e atitudes, evitando acusar o outro.

*Faça pedidos ao invés de exigências ou ameaças.

Evite dizer: "Tu tens que" "Tu deverias" "Tu sempre" "Tu nunca"

No lugar disso, diga: "Eu sinto que" "Eu gostaria de" "Quem sabe nós dois pudéssemos"

*Escute.

*Coloque em prática a capacidade de negociação, propondo soluções para o problema, ouvindo a perspectiva e sugestão do outro, dialogando e, por fim, formulando uma solução adequada para os dois onde todos ganham.

Uma dica extra:

*Se os sentimentos estiverem muito intensos, se afaste e informe ao cônjuge que prefere conversar sobre o assunto quando ambos estiverem mais calmos. Procure fazer algo que ajude a regular suas emoções e retome a conversa num momento adequado.

Por fim, lembre-se que:

O fato de querer bem a pessoa com quem se vive não é garantia para uma boa convivência, pois, a vida a dois necessita ser pensada e negociada.

Lembrando ainda que a Psicoterapia de Casal é um espaço para pensar, refletir, dialogar, negociar e transformar a realidade, buscando alternativas mais construtivas para uma vida a dois com mais saúde e satisfação.


Com carinho, Elisa Lempek


Referência:

Viver a dois: compartilhando este desafio- programa psicoeducativo para casais/coordenado por Adriana Wagner. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Núcleo de Pesquisa Dinâmica das Relações Familiares, 2015.

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