• Elisa Lempek

O vínculo com o bebê é construído!

Atualizado: 12 de Jun de 2018

O vínculo é um fator vital de constituição do sujeito e de determinação da sua saúde

física, mental e emocional.


Ao nascer, o bebê é um ser ainda incapaz de sobreviver sozinho e de prover suas necessidades, dependendo de um adulto cuidador e responsivo, que lhe propicie os recursos que faltam para os cuidados físicos e emocionais.


Os bebês nascem prontos e dispostos a relacionar-se e ligar-se às pessoas. A comunicação, entretanto, ocorre através da linguagem corporal e dos sentidos. É, portanto, uma relação bem pouco estruturada, não-verbal e intensamente emocional. A ligação afetiva do bebê e de quem cuida dele é a primeira ação educativa que uma criança recebe quando nasce, e é a partir deste aprendizado que ela irá construir todos os outros vínculos.


Todo vínculo é uma relação, mas nem toda relação é um vínculo. Para que se caracterize como vínculo, é necessário que seja consistente, afetivo e estável.


Como se constrói o vínculo?


O vínculo que se constrói na relação estabelecida entre pais e bebê é muito mais que apenas um interesse em alimentar, trocar ou tomar conta do bebê. É cuidar e colocar-se no lugar do bebê, perceber e responder às suas necessidades físicas e emocionais. O bebê é poderosamente influenciado por este investimento emocional dos pais. Sem uma base segura estabelecida na infância, os seres humanos podem, até a vida adulta, criar e agarrar-se a uma crença de que o mundo é instável e de que eles não podem, com segurança, acreditar uns nos outros.

(Klaus, Kennel& Klaus, 2000)


Tanto as necessidades psicológicas e emocionais quanto as fisiológicas da criança devem ser satisfeitas. A criança deve ter uma vivência de uma relação calorosa, íntima e contínua com os seus pais (ou cuidadores), na qual ambos encontrem prazer e satisfação. Neste sentido, entendemos que o vínculo diz respeito a uma relação de afeto que é ativa e recíproca.


O vínculo vai se construindo gradativamente e continuamente através de cuidados básicos como a troca de fraldas, a alimentação, o banho, assim como através de intimidade e proximidade que ocorre a partir do olhar, do toque, da fala, do carinho, afeto, aconchego, proteção, segurança...


Qual a importância da qualidade do vínculo com o bebê?


As vinculações familiares seguras na infância promovem uma percepção mais positiva da realidade, melhor autoestima, autoconfiança e vínculos afetivos saudáveis e satisfatórios na vida adulta. As crianças que vivenciam uma boa relação de vínculo com seus cuidadores são mais aptas a expressarem e lidarem com os seus sentimentos e emoções. Dessa forma, a qualidade do vínculo afetivo tem importância na prevenção e promoção da saúde mental e emocional.


Fatores de risco para a construção do vínculo


A forma como a vinculação acontece vai interferir na forma como a criança vai se relacionar consigo mesma e com os outros, ao longo da sua vida.


Crianças que foram privadas de cuidados físicos e emocionais tem sua saúde emocional ameaçada, podendo apresentar dificuldades para expressar e lidar com seus sentimentos e emoções, medos, baixa autoestima, insegurança, problemas de relacionamento interpessoal, entre outros.


Entre os fatores de risco para a construção do vínculo destacam-se o distanciamento entre bebê e a mãe ou cuidador (passar muito tempo afastados ao longo do dia); adoecimento materno ou de quem exerce a função de cuidador; adoecimento psíquico de quem cuida; abandono infantil; bebês negligenciados; bebês que passam muito tempo em berços, sem aconchego, com choro excessivo, sem acolhimento; entre outros.


O bebê precisa de um ser humano ligado a ele de maneira consistente, afetiva, com empatia e disponibilidade (física e emocional). Essa função pode ser exercida por qualquer pessoa que possua essas condições e intenção.


Cuidar de quem cuida


O apoio é essencial para quem vai cuidar do bebê. Ele é necessário para a saúde física e emocional de quem exerce essa função, assim como para dar condições ao estabelecimento de um bom vínculo com o bebê. Esse apoio pode vir da família, de amigos, de pessoas que estejam passando pela mesma fase, assim como dos profissionais que acompanham a família, inclusive um psicólogo.


O psicólogo pode auxiliar o indivíduo, o casal ou a família na prevenção, tratamento e promoção de sua saúde, assim como contribuir para o desenvolvimento de relações familiares mais equilibradas e positivas, que devem refletir positivamente na construção de um bom vínculo com o bebê e num ambiente familiar mais saudável para todos.


Com carinho, Elisa Lempek



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