• Elisa Lempek

Puerpério é transição

Atualizado: 12 de Jun de 2018



Desde a gestação até o pós-parto, a mulher passa por alterações biológicas, psicológicas e emocionais e precisa lidar com tudo isso enquanto ajusta-se a uma nova realidade, uma experiência muitas vezes inédita na sua própria história, que é a dedicação exclusiva ao outro. A dedicação ao bebê faz parte do processo de tornar-se mãe, pois o vínculo e o amor se constroem no dia-a-dia, a partir da presença e vivências compartilhadas. Com essa dedicação e doação, a mulher vive um encontro consigo mesma, no seu interior mais íntimo, um movimento interno capaz de produzir uma transformação intensa na sua identidade e que a convida a descobrir qual é o seu lugar no mundo a partir da chegada do bebê.

O puerpério pode ser compreendido como um período de pausa, de reflexão, de desconstrução e desconexão para conectar-se novamente de forma mais plena e profunda, após a chegada do bebê. Durante este período é comum vivenciarmos um turbilhão de emoções, sentimentos e pensamentos que podem variar na frequência, duração e intensidade, sendo diferentes em cada mulher e a cada nova gestação, e que pode repercutir também em outros membros da família que compartilham dessa experiência de alguma forma. Trata-se de um processo de transição, de encontro ao novo, ao desconhecido e que pode levar tempo. O processo emocional do puerpério é diferente para cada nova mãe e pode durar até dois anos. Permitir-se sentir e elaborar todo esse processo, com consciência e entendimento faz toda a diferença na construção dessa nova identidade.


A mulher, agora mãe, passa por esse processo de transformação em paralelo ao processo de transformação do seu bebê. E para compreender, apoiar e responder de forma adequada ao processo dele, ela precisa conhecer o seu. A consciência sobre o seu próprio processo de transição e construção de uma nova identidade, alinhada a seus valores, além da capacidade de compreender o que se vive pode proporcionar a si mesma um nível de poder pessoal que talvez não tenha sido experimentado até assumir esse novo papel, e que vai se refletir nas outras relações e na sua forma de ver o mundo.


Contar com uma rede de apoio neste período é fundamental. A rede de apoio deve garantir para a nova mãe o tempo, o espaço e a liberdade que ela precisa para viver essa doação ao seu filho e estabelecer as conexões externas novamente com confiança, segurança e autonomia.


O acompanhamento psicológico também pode contribuir muito para uma melhor saúde emocional durante o puerpério, favorecendo o processo de maior consciência, entendimento e elaboração de todas as transformações e mudanças onde a mulher encontra um espaço de escuta acolhedora para compartilhar suas vivências sem julgamento e com encorajamento para o seu próprio renascimento.


Com carinho, Elisa Lempek

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